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  Superação
 

Existe muita história de superação de vida, muitas que são contadas e acabam caindo em nosso esquecimento, mas Fábio Silva que mora em Campinas-SP teve uma experincia única no bumerangue, assim como a família ele usou o esporte como apoio para ter uma segunda chance de vida.
Abaixo, vocês podem ler um relato feito pelo próprio Fábio, escrito com detalhes da tragetória que teve durante todo tempo que ficou hospitalizado em Jaú. O texto é um pouco longo, mas é uma leitura agradável e que podemos tomar como exemplo para o nosso dia-a-dia.

 

Texto: Fábio Silva
Resumo da minha luta contra a leucemia!!!

Bom eu tenho duas fases da minha vida, a primeira eu era um jovem disciplinado, educado e sem vícios, ia à igreja, não roubava e nem seria capaz de fazer mal a uma formiga, gostava de tudo o que não tinha coisa errada pelo meio, resumindo dentro do possível eu era um jovem que andava certo...

A segunda fase foi quando eu descobri meu problema eu estava com Câncer com apenas 25 anos, mas quando os médicos falaram que eu estava com Leucemia a palavra até me soou meio agradável, pensei comigo “nossa não é câncer é leucemia”, mas até vc não conhecer e se dar conta do problema é mais fácil tentar se esconder dele do que encará-lo. Para se ter uma noção do tamanho do problema, sem o transplante minhas expectativas de sobreviver eram por volta de 30%, mas mesmo assim agradeci a Deus, pois eu ainda tinha chances, porque 100% sem Deus é nada e 1% com Deus é tudo e eu tinha 30%...

Logo minha médica já começou o tratamento que se baseava em quimioterapias e remédios para controlar e evitar os efeitos colaterais, que diga se de passagem não são poucos.

Quando ela disse que iria começar o tratamento quimioterápico eu fiquei super apreensivo, pois não sabia do que se tratava, eu pensava que era um tipo de máquina, mas não eram drogas líquidas, que por onde passam corroem e destroem qualquer evidência de células cancerígenas, há e de células saudáveis também, por isso a queda do cabelo, náuseas constantes, fraqueza e um milhão de outros problemas, bom resumindo a quimioterapia é um veneno para pessoas saudáveis, mas para quem está com Câncer é um milagroso remédio.

Nesse momento da minha vida o apoio de Deus está acima de tudo, mas o apoio dos meus pais, da minha família e dos amigos foi muito importante para mim, mas quem me ajudou realmente a encontrar meu caminho e não desistir de lutar, pois do outro lado desse campo de batalha havia alguém que me amava me esperando era minha namorada Vivian, que quando eu estava lá aguardando o término das quimios ela me fez uma fantástica surpresa, levou uma cesta cheia de chocolates e uma caixinha com um par de alianças de ouro e foi no dia 06

Bom passado todos os ciclos de quimios que foram mais de 50, Deus, minha médica e eu conseguimos alcançar parte do objetivo de luta contra a doença, que era eu entrar em remissão, algumas coisas saíram do controle mais isso faz parte, saldo positivo eu estava em Remissão da doença e estava pronto para um transplante, saldo negativo durante o ataque da doença ao meu organismo tive queda de imunidade e de boa parte das células de defesas e petéquias começaram a se espalhar pelo meu corpo, devido a isso tive um descolamento de retina do olho direito que comprometeu 100% da minha visão. Mas isso não me privou de continuar pensando positivo, confiar ainda mais em Deus e seguir em frente na batalha, pois nesse momento ela ficaria mais difícil, pois meu irmão que tinha a maior chance de ser meu doador não foi compatível comigo.

Então minha médica me cadastrou no Registro Nacional de Doadores que se chama REDOME, onde na minha humilde opinião estão cadastrados anjos que estão dispostos a salvar vidas...

Quando soube das minhas chances de encontrar um doador compatível fora da família confesso que me assustei, mas não me abalei, pois as chances eram de uma em um milhão embora existam uns mais otimistas que falam que é de uma em cem mil de doadores cadastrados, Por isso é importante que todos se cadastrem para serem doadores de medula óssea.

Então passado alguns meses de espera veio a tão aguardada notícia, encontraram um possível doador de medula óssea, naquele momento minha vida era só felicidade!

Minha médica me adiantou que iria me encaminhar para a cidade de Jaú onde existe um Hospital referência nesse tipo de tratamento, o HAC, Hospital Amaral Carvalho, depois de várias viagens para passar por consultas lá em Jaú, finalmente marcaram o dia da minha internação, que era a data de 22 de setembro de 2008, chegando lá fiquei muito apreensivo, porém confiante eu seria internado para fazer algo que iria mudar minha vida para sempre...

Minha mãe ficou os primeiro dias de internação junto comigo, foram momentos muito difíceis, pois tratamento quimioterápico detona a pessoa, quando comecei minha quimioterapia de indução para me preparar para o Transplante, eu tive que tomar alguns comprimidos quimioterápicos que se chamavam bussofan, eu tomava 35 a cada 6 horas e isso se estendeu por 4 dias, foram no total 560 comprimidos quimioterápicos fora os outros que eu tomava para evitar os efeitos colaterais e controlar meu organismo, depois disso foram mais dois dias de sessões de quimioterapia liquida que até então foram as mais fortes que eu já tomei, pois me baqueou legal fiquei fraco e com perda total de apetite.

Essas quimioterapias são feitas para retirar do meu organismo minha medula que está com problema para enfim realizar o transplante e assim infudir a nova medula, os efeitos desse procedimento são avassaladores pois eu começo a ter uma complicação chamada de mucosite.

Esse problema faz com que eu desenvolva feridas que vão da boca passando pelo estômago e as vezes chegando ao reto, isso ocorre devido a baixa imunidade causada pelos medicamentos.

Passado os seis dias de quimioterapia, eles deixam o paciente descansar por algumas horas ou no máximo um dia, e então infundem a nova medula que veio de um doador não aparentado, que no meu caso foi uma mulher do estado do Paraná.

Quando o paciente entra nessa fase todos os cuidados e atenções são redobradas, pois existe 50% de chances da nova medula pegar, e 50% de não pegar, esse momento é muito difícil para o paciente, pois o corpo está bombardeado, já não consegue se alimentar e nem beber água, a fraqueza toma conta do corpo mas não da mente, e era isso que mantia firme, eu não deixava me abalar por nada, meu pensamento era 100% positivo.

Então infundem a medula através do cateter implantado no meu peito, e de gota em gota a nova medula entra em meu organismo, minha medula levou mais ou menos 26 dias para “pegar” esse é o termo usado para dizer que a medula a principio foi aceita pelo meu organismo, o incomodo é saber que se ela não pegar em 120 dias isso quer dizer que o transplante não foi bem sucedido e a qualquer momento o paciente poderá vir há óbito, a não ser que por um milagre de Deus ele consiga um novo transplante...

Quando a medula pega os médicos começam a pedir exames todos os dias para saber qual a quantidade de células sanguíneas que começam a crescer e se multiplicar, pois é bom lembrar que é a medula óssea é a fábrica do nosso sangue, pois é ela a responsável por produzir todas as células sanguíneas. Então quando vc está com uma quantidade razoável de células os médicos te dão a primeira alta.

Mas isso não quer dizer que tudo acabou, ou seja, é ali que tudo começa, pois tive que alugar uma casa lá na cidade para poder morar próximo do hospital, e ir de manhã e a tarde para poder tomar minhas medicações...

Resumindo desde minha internação à minha primeira alta foram exatos 3 meses morando na cidade de Jaú px do hospital Amaral Carvalho.

Depois de receber alta, voltei para Campinas no dia 23/12/2008, passei o Natal em casa com meus pais e minha esposa que na época era minha namorada, voltando para Jaú para realizar exames depois de uma semana da alta, já identificaram um vírus no meu organismo que me fez voltar ao hospital e ficar internado por mais 15 dias, esse tipo de vírus é oportunista e se aproveita da baixa imunidade dos pacientes para atacar, recebi alta novamente e voltei para casa, mas foram longos meses de muitas viagens à Jaú, primeiro era toda semana, depois de 15 em 15 dias, mês em mês e  agora mesmo depois de dois anos do tranplante pelo menos de 4 em 4 meses retorno lá para exames!!!

Mas isso para mim não é uma obrigação e sim uma satisfação, pois adoro voltar lá no hospital para rever os enfermeiros, e os médicos que ajudaram a salvar minha vida tenho muito carinho por todos, pelo hospital e pela cidade que com certeza vivi uns dos dias mais importantes da minha vida!

Hoje estou casado, trabalhando, competindo nos campeonatos de bumerangue e esse ano de 2011 entrarei para faculdade farei o curso de medicina veterinária, só tenho a agradecer a Deus tantas graças alcançadas e tantos presentes em minha vida!

 

 

 
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